(Em processo)
Objeto – 100cm x 88cm x 9cm.
Este é um trabalho que venho construindo há algum tempo. Nele tem um livro de contos. E escrever é difícil, ainda mais quando se precisa conciliar várias coisas.
Oratório é um painel de madeira que abriga, além do livro, um conjunto de objetos, imagens e esculturas, que vou adicionando, retirando, e, cuja configuração remete a um altar, um oratório ou um arquivo.
O nome Oratório é em analogia aos oratórios que guardam imagens de santinhos e velas, comuns entre a população rural e interiorana brasileira.
Cada página do livro contém uma fotografia vernacular acompanhada de narrativas ficcionais, construídas a partir das imagens e memórias individuais e coletivas. São memórias de infância, principalmente – relacionadas aos meus pais, avós, tios, conversas baixinhas escutadas, sobre o cansaço, as fábricas, preocupações – e temas como o trabalho, precariedade, deslocamentos da vida rural para a cidade, ausências. A ficção costura o que escapa.
A folha ao lado do livro, sobre a qual estão gravados a palavra “emergência” e os mapas invertidos da América do Sul, Ásia e África – continentes frequentemente designados como “emergentes” no discurso geopolítico contemporâneo – tem como referência a obra América Invertida, de Joaquín Torres Garcia, que propõe uma subversão da lógica colonial, atribuindo ao Sul um lugar de centralidade, inserindo uma crítica ao modelo capitalista de exploração e em como essas regiões são submetidas a processos de precarização do trabalho e desculturação.
O primeiro texto que integra o livro, intitulado A costela-de-adão, está disponível para leitura na plataforma digital Grafia em Linha, do Laboratório Antropológico de Grafia e Imagens (La’Grima) da UNICAMP:
https://lagrima.space/a-costela-de-adao/






